quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Promessa de Ano-Novo



Não posso mais continuar com isso. Um ano já se passou e eu ainda me encontro nesse cativeiro. Você monopoliza meus pensamentos. E tudo o que eu queria era fugir da realidade dos meus sonhos que insiste em colocar você do meu lado. Mas você não está do meu lado.

E se estivesse, eu não estaria assim, sofrendo. Me diga se valem a pena os momentos de angústia, de ansiedade, de decepção. Me diga se um dia vai chegar o meu prêmio de consolação. Eu acreditei, mais até do que deveria, e nunca alcancei. Eu esperei, até mais do que o necessário, mas cansei.

Cansei de depender do seu humor, das variações das suas vontades. Quero liberdade! Cansei de criar estratégias, de não criá-las, de reinventá-las, tudo pela esperança de te ter, que nunca morreu em mim. Pois agora eu resolvi por nela um fim. É chegado o momento e se é para o bem e felicidade geral do meu coração, eu digo a todos que desisto!

Não consegui o que queria. Não cheguei nem perto, talvez. E isso foi o que aprendi com você: tentar às vezes pode ser em vão. Insistir pode ser apenas uma desculpa para amenizar a dor da nossa ilusão. Então foda-se esse sentimento! Quero jogar tudo no lixo nesse momento! E foda-se se minha alma é pequena, pois tenho que dizer que isso não valeu nem um pouco a pena!

Estou fechando a página em branco da sua história na minha vida. E se você quiser abri-la novamente, que venha com a caneta na mão.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Eufemismos


Ao longo de nossa infância, sempre somos reprimidos pelos adultos pura e simplesmente por usarmos de sinceridade na conversa com as pessoas. Então, aprendemos a manipular nossas palavras para que possamos dizer a verdade sem que a verdade seja realmente a verdade. Isso é o chamado eufemismo.

Em algumas situações, ok, não temos como fugir deles. Quando nosso chefe nos pergunta se a reunião com o cliente foi boa, não precisamos dizer: “Não, foi uma bosta!”. Na verdade, podemos dizer isso de outra forma para evitar tensões e até mesmo a discórdia dentro de um escritório. Então dizemos: “É...não foi como esperávamos...” e assim o patrão perceberá nossa tristeza e dificuldade e tentará nos ajudar a solucionar o problema.

Mas...por que dizer que uma pessoa “bateu as botas”, “subiu no telhado”, “partiu dessa para uma melhor” quando podemos simplificar tudo dizendo: “Fulano morreu!”. Simples assim. Essa história de “falecer” é apenas uma bichisse que é totalmente dispensável. Morrer e falecer são sinônimos, p*!

E assim sucessivamente com os comentários: “ah, ele é bonitinho” (= feio pra caralho, mas gente boa); “ela é um pouco limitada” (= burra, lerda, desprovida de inteligência nos níveis normais – ops! Esse também é um eufemismo...); “ele não é gay, é só um pouquinho afeminado...” (afeminado? Que p* de termo é esse?? = bicha, viado, boyola, são paulino, joga vôlei, etc).

Mas o pior dos eufemismos é “Nossa, como ele está fortinho nessa foto, não?!” Peloamordosmeusfilhinhos!!! Forte e Gordo são adjetivos completamente distintos! Forte significa músculos e Gordo, como o próprio nome diz, significa gordura, banha, dobras na barriga, etc. Esse eufemismo é o pior de todos porque ele é malandro e engana! Uma pessoa fica forte quando vai a academia, quando faz exercícios, pratica esporte, enfim. E não quando come que nem um porco. Isso é completamente o oposto!

Odeio eufemismos! Eles são apenas um disfarce da mentira.

Créditos da imagem

domingo, 1 de novembro de 2009

É só um jogo de futebol



Sinceramente, eu não sei por que eu gosto de futebol. Eu não sei por que eu me importo com futebol. Nem sei explicar por que eu sou apaixonada por futebol. Mas sou e ponto. O problema é que as pessoas que, por alguma graça divina, foram eximidas desse carma julgam compreender o que nós, fanáticos, sentimos ao ver as vitórias e derrotas do nosso time. Elas julgam-nos bobos por sofrer, gritar, chorar, cantar, vibrar, quando a bola está em campo a nosso favor.

E somos bobos mesmo. Involuntariamente. Não há como evitar. Quem é apaixonado por futebol sabe do que eu estou falando. É mais ou menos como aquela adolescente inocente que se deixou envolver pelo garanhão da escola e sofre todos os dias por ele. Sorri quando ele lhe lança um olhar, chora quando presencia o encontro dele com outra. Isso é ser idiota. E, no meu caso, eu sou idiota pelo São Paulo Futebol Clube. Sorrio quando vejo os onze jogadores entrando em campo vestindo a camisa estampada no peito com o símbolo da minha paixão. Sofro quando os onze que estão jogando não dão valor ao uniforme que vestem. Choro quando perdemos uma partida, um título, uma vaga no Mundial.

Somos todos perdidamente apaixonados por aquele clube que nos representa. É como se fôssemos um só: a torcida e o time. E se dizem que somos bobos, eu digo que pelo menos nossa paixão é infinita, é eterna, é fiel. Porque os casais que discursam fidelidade e prometem ficar juntos “até que a morte os separe” raramente cumprem esse juramento. Mas nós, fanáticos por futebol, nós jamais abandonamos nossa paixão. Nosso amor é sincero, é real e, como todos os outros amores, é inexplicável.

E quando o jogo termina e o resultado não foi como esperávamos, ficamos tristes, cabisbaixos, derrotados. Enquanto isso, aqueles que são alheios a nossa paixão insistem em nos “consolar” com aquela frase que já virou clichê: “Calma, é só um jogo de futebol”. Eles não entendem a dimensão que “um jogo de futebol” tem para nós, apaixonados. Exatamente, é um jogo de futebol QUE NÓS PERDEMOS! Essa é a nossa derrota, a nossa tristeza, o nosso lamento. Porque o nosso time somos nós. E se ele perdeu, nós perdemos também.

Às vezes tenho raiva de gostar de futebol. Por tantos domingos e quartas-feiras tensos e apreensivos, por tanto desespero nos minutos finais das partidas, por passar tantas segundas ou quintas-feiras mal humorada por causa de uma derrota. Mas basta um gol para eu esquecer toda essa raiva, vestir minha camisa e desfilar pelas ruas com orgulho de carregar no peito a minha paixão, estampada para todo mundo ver. Sou idiota, e daí? No fundo, de alguma forma, todos somos.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Fuja dos Clichês



Fuja!

Clichês sociais:
-Motorista de ônibus que tem a unha do dedinho enorme (para coçar a orelha, argh!)
-Pedreiros galanteadores (costumam dar aquela típica puxada de saliva que os deixa ainda mais irresistíveis)
-Corintianos maloqueiros (esses também figuram entre os pedreiros galanteadores)
-Ex-BBB que "vira" ator de televisão (por que, meu Deus,por que?!?!)
-Jornalista que se acha (redundância?)
-Políticos corruptos (sinônimos)
-Japonês nerd, Loira burra, Judeu mão-de-vaca...(pleonasmo racial)
-Emos gays
-Gays emos
-Empregada cantora (elas adoram ensaiar na sua casa)
-Playboy vagabundo (um depende do outro para sobreviver)

Clichês Masculinos:
-"As mulheres são muito complicadas"
-"Isso é coisa de viado"
-"Mulher nenhuma presta!"

Clichês femininos:
-"Homem nenhum presta!"
-"Ele não me merece!"
-"Você tá me achando gorda?!"
-"Você está querendo dizer que... (o complemento dessa frase nunca tem nada a ver com o que você disse)"

Clichês Homossexuais:
-"Uh Tricolor! Uh Tricolor!" (não resisti à piada)

Clichês (mentirosos) para término de namoro:
-"Você merece alguém bem melhor do que eu"
-"O problema não é com você, é comigo!"
-"Eu queria que a gente continuasse amigo..."

Clichês para amigos falsos:
-"Nossaaa! Que saudade que eu tava de você!"
-"Vamos marcar alguma coisa para colocar o papo em dia!"
-"Você emagreceu?"


Por um mundo além dos clichês!


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quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Um pouco de mal humor



Quando um dia começa, você já deve saber que a chance de as coisas darem errado é o triplo da chance de elas darem certo. A proporção é 75% e 25%, vamos dizer assim. E você pode me dizer: "Mas no final tudo dá certo". Tudo bem. No entanto, na maioria das vezes, esse final tarda a chegar e, quando ele se concretiza, você já até desistiu de esperar.

As coisas só dão realmente certo quando elas são desimportantes. Por exemplo: você só acorda na hora quando não tem compromisso. Porque, se você tiver uma prova, uma entrevista de emprego ou uma reunião de trabalho, prepare-se para colocar, no mínimo, uns oito despertadores bem estridentes para despertar pelo menos 2h antes do horário certo. E distribua-os em locais estratégicos da casa. Se você tiver MUITA sorte, vai escutar um deles e não vai perder a hora.

Mas não se empolgue, porque se você não perder a hora, pode ter certeza que outra coisa vai acontecer. Uma greve dos metroviários, talvez; um temporal de chuva, vento e granizo, sendo que o seu guarda-chuva acabou de quebrar; uma passeata do Greepeace que parou o trânsito da cidade; um gole de Todynho derrubado na roupa...Enfim, poderíamos enumerar aqui milhares de situações em que você se ferraria e sentiria na pele a proporção dos 75% e 25%.

Mas aí, como você é muito otimista, vai adotar à tática do "Pense: poderia ser pior!". E eu te digo: JAMAIS pense em uma coisa dessas! Não provoque a fúria da Zica que rege nossas vidas. Porque, bastou você pensar isso para tudo começar a piorar ainda mais. No mínimo, você vai descer do ônibus, recepcionar com louvor as fezes de uma educada pomba em seus cabelos enquanto dois caras de terno e gravata chegam para te assaltar no único dia em que você esqueceu a carteira em casa. É mais ou menos assim que a Toda Poderosa Zica vai se vingar da sua petulância!

Apesar disso, eu asseguro a você: tudo sempre dá certo no final. E se ainda não deu, é porque não acabou. (Ou porque você é muito zicado mesmo, mas vamos descartar essa opção!). E o melhor é que, quando tudo dá certo, o gostinho da vitória é ainda melhor. E o seu mal humor, será apenas um detalhe passado.

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quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Eureka!

Você percebe que está andando muito de trem quando se vê repetindo as instruções da locutora oficial do "CPTM informa: nos trens é proibido o uso de aparelhos sonoros em volume que causa incômodo a outros usuários". E o pior é saber que essas informações de cor pouco ou nada acrescenta à sua vida (até porque, raros são os usuários do trem que obedecem a essa regra).

Você percebe que está andando muito de ônibus quando o próprio motorista reconhece e cumprimenta você. Porque...imagine quantas pessoas aquele senhor não vê passar por sua catraca diariamente. E, no entanto, em meio a centenas você ficou marcado em sua memória. Mas não se sinta melhor do que ninguém por causa disso! Ele não sabe quem você é e nem se importa com isso. Apenas conhece seus horários e itinerários e gosta de ser simpático.

Você percebe que está andando muito de metrô quando sequer titubeia ao responder a alguém que te pergunta qual sentido deve pegar para chegar em determinada estação. Isso demonstra que o mapa do metrô está impregnado em seu cérebro, tamanha é a frequência que você recorre a ele durante a semana.

E, analisando todas essas circunstâncias, você percebe que a única conclusão a que se pode chegar é: você realmente está precisando de um carro!

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Histórias de um itinerário [1]


Viajar por este país em ônibus, enfrentar rodoviárias cheias, presenciar histórias únicas durante o percurso é um privilégio. Viagens interurbanas ou interestaduais dentro de ônibus podem ser únicas.

Eu posso dizer, infelizmente, que minha experiência nessa área é vasta. E tampouco tem perspectivas de acabar. E como o que não tem remédio, remediado está, o que posso fazer é relatar aqui um pouco do que ouço do que eu ouço nesses meus itinerários.

Os piores dias para se pegar um ônibus na rodoviária são as datas comemorativas. Dia das Mães, Páscoa, Dia dos Pais...No Natal e no Ano Novo então, nem pense em se aproximar desse tipo de transporte. O estresse será maior do que tentar atravessar São Paulo às 18h de uma sexta-feira. No entanto, todos sabemos que às vezes isso é inevitável, e aí, o conselho é ter paciência e observar tudo à sua volta para depois poder se divertir contando as histórias bizarras que você viveu.

Falando nisso, no último dia dos pais, por exemplo, após eu ter ido visitar o meu em Sorocaba, tomei coragem e enfrentei o busão para voltar a São Paulo, às seis da tarde no domingo. Péssimo horário para esse itinerário, diga-se de passagem. Enfim. Ônibus lotado, pessoas de todos os tipos à vista. Ok, vamos ligar uma musiquinha e relaxar, certo?! Claro, se você estiver de posse de um fone de ouvido, sem problemas! Mas, se você não tiver um desses, por favor, seja educado, contente-se com o som ambiente do buzunga e deixe os outros passageiros em paz! Ha! Doce ilusão, não é?! Educação muitas vezes é algo que não entra nos ônibus interurbanos. Resultado? Duas horas ouvindo a Rádio dos Pagodes Bregas do cara da frente!

Foi então que, na escuridão do corredor, surgiu uma luz na poltrona ao lado. Um casal com um bebê no colo. Um coberto, uma fralda e uma sacolinha. Sim, os dois decidiram "trocar a criança" durante a viagem. Agora, a harmonia do pagode da frente era embalada pelo agradável aroma que vinha do lado. Acrescente-se a isso a imagem dos carros todos parados no trânsito da estrada e podemos dizer que você terá uma viagem de ônibus bem tradicional e completa!

Mas, se você, caro leitor, na sua ingenuidade e inexperiência, acredita que essa é uma história bizarra de viagens interurbanas, por favor, aguarde os próximos capítulos. Garanto que coisas piores virão!